Sensuum

Desafie-se: Teletrabalho com crianças

Os tempos que se vivem no mundo, em particular, em Portugal são de grandes desafios quer para as pessoas a nível individual e profissional, quer para as entidades empregadoras, sejam elas públicas ou privadas.

O isolamento social é a chave para o controlo desta pandemia, mas estar em casa, requer muito mais do que o simples facto de não sair à rua. Este preceito requer uma adaptação das pessoas e das famílias à nova realidade e estas têm de ter a capacidade, muitas vezes, de conjugar vários e complexos desafios como são exemplos:

– Realização das tarefas domésticas;

– Manutenção das rotinas;

– Cuidado com crianças e outros dependentes a cargo;

– Ocupação dos tempos livres;

– Continuação das relações sociais, embora á distância;

– Realização de tarefas/trabalhos profissionais;

– Entre outros.

Desengane-se quem considera este desafio fácil de superar!

A reorganização da vida familiar e profissional é exigente e há que ter consciência que, por vezes, é preciso recorrer a ajuda externa para que o que está ao alcance não pareça tão longínquo.

As crianças passaram a estar em casa – a creche está fechada, as escolas encerradas, os ATL’s inativos. Estão as famílias preparadas e predispostas a terem em casa as suas crianças 24h/dia/semana? Com a agravante de não poderem sair à rua? Por tempo indeterminado? E como ocupá-las/entretê-las? Pois, afinal as crianças dão muito trabalho e exigem um predisposição brutal: física, psicológica e emocional, dos seus cuidadores. 

Mas… e se acrescentando a isto tudo, os cuidadores ainda tiverem de trabalhar no âmbito da sua atividade profissional? Sim, porque se ser cuidador não é tarefa fácil, ser cuidador e profissional em simultâneo, o desafio é ainda maior.

O teletrabalho, previsto e regulamentado no Código do Trabalho em Portugal, entre os artigos 165º e 171º surge, para muitas pessoas e organizações, surge como uma opção válida, consciente e positiva, de modo a que haja continuidade laboral e, que as entidades que suportam economicamente o mercado, não sejam tão afetadas, por esta crise multissetorial.

Muitas são as profissões que, com maior ou menor ajuste, conseguem realizar teletrabalho. Claro está que muitas dessas, requerem uma parte desse trabalho em horário de expediente, uma vez que são necessários contactos, por telefone ou videochamada, e que deverão ser feitos em horas adequadas. 

Assim, esta solução, apresenta inúmeras vantagens, quer para o colaborador, quer para a entidade empregadora, como sendo:

  • Para o/a colaborador/a:

–  Menores despesas, tanto ao nível das deslocações, como das refeições fora de casa;

– Grande liberdade e autonomia de trabalho, possibilitando uma gestão de tempo diferente e mais ajustada à sua vida pessoal;

– Maior flexibilidade de horários para a realização das tarefas;

– Menor carga de stress por cumprimento de horários, por exemplo;

– Mais tempo para a família e acompanhamento dos/as filhos/as e outros a cargo.

 

  • Para o/a empregador/a:

– Maior agilidade na realização das tarefas a concretizar;

– Possibilidade de extensão e flexibilidade de horários de trabalho;

– Libertação de meios financeiros pela ausência de necessidade de espaço físico;

– Diminuição da perda de colaboradores/as;

– Aumento da motivação, satisfação e realização pessoal dos/as colaboradores.

Contudo, desengane-se quem acha que o teletrabalho só tem vantagens, pois também existem desvantagens, para ambas as partes, como são exemplo:

  • Para o/a colaborador/a:

– Dada a maior flexibilidade de horário, existe maior probabilidade de se trabalhar mais horas;

– Maior isolamento e intensificação da rotina;

– Menor relacionamento com a equipa de trabalho;

– Maior possibilidade de misturar a vida pessoal e profissional;

– Condições, por vezes, desajustadas ao exercício das funções.

 

  • Para o/a empregador/a:

– Menor controlo no trabalho realizado;

– Possibilidade de mais dúvidas no circuito da informação;

– Maior ausência de contacto físico.

 

Posto isto, importa referir que o teletrabalho, para ser efetivo, tem de ser bem estruturado e tem de haver um compromisso real, quer da parte do/a colaborador/a, quer do/a empregador.

Todavia, será que é possível produzir com crianças em casa, neste tempo de pandemia?

Sim, é possível. A exigência é grande e a capacidade de organização, de método e disciplina também tem de acompanhada de motivação e rigor. A adaptação é um processo, que pode ser mais ou menos longo, mas depois de conseguido o equilíbrio é possível manter a capacidade produtiva com crianças em casa, apesar de, em modo geral, trabalhar-se mais horas.

Vejam-se algumas dicas, que o/a poderão ajudar no seu dia-a-dia:

  1. Encontre um local adequado para o teletrabalho e crie um ambiente propício à concentração e produtividade;
  2. Procure os melhores horários para trabalhar: será de manhã bem cedo, será à noite quando todos os membros da família já se foram deitar?
  3. Não fique o dia todo de pijama, vista-se mesmo que seja uma roupa mais prática para estar em casa;
  4. Faça uma lista de tarefas a realizar em cada dia, definindo prioridades, e obrigue-se a cumpri-la;
  5. Use o tempo mais conturbado, para tarefas menos exigentes / complexas / que obrigam a maior concentração;
  6. Aproveite algum tempo mais tranquilo, durante o horário de expediente, para contactos profissionais, que possam ser necessários; 
  7. Use as ferramentas/canais digitais (WhatsApp, Skype, Teams, Zoom, outros) para criar proximidade junto das pessoas com quem precisar comunicar/reunir/relacionar;
  8. Mantenha a rotina das crianças que tem consigo;
  9. As horas das refeições devem ser asseguradas;
  10. Encontre atividades / tarefas / passatempos que as crianças possam fazer com alguma autonomia, de modo a libertá-lo/a;
  11. Peça colaboração aos familiares que vivem consigo para cuidar das crianças;
  12. Tente fazer as tarefas domésticas em momentos menos oportunos/produtivos;
  13. Reserve o fim de semana para descansar e não entrar em exaustão;
  14. Acredite e confie em si, que será capaz de mais do que imagina.

De modo a sentir-se mais seguro/a acerca do trabalho que tem de fazer em casa, reúna/fale com frequência com os colegas de trabalho e chefias, também dará confiança para o outro. Fazer regulares “pontos de situação” é fundamental para que o trabalho flua e toda a gente “reme no mesmo sentido”. Assim, quer a entidade, quer os/as colaboradores/as vão sentir o caminhar e o alcançar os objetivos de todas as partes.

Lembre-se que as pessoas é que fazem o sucesso e os desafios mais exigentes é que obrigam a melhor de forma contínua cada um, a cada dia.

Deixamos alguns locais onde pode encontrar as melhores ferramentas digitais para usar em teletrabalho: https://covid19estamoson.gov.pt/teletrabalho/

Deixamos ainda algumas atividades para as crianças fazerem, enquanto estão em isolamento social:

https://www.semprefamilia.com.br/pais-e-filhos/atividades-ocupar-criancas-durante-a-quarentena/

https://www.mcdonalds.pt/em-familia/diversao-em-casa?gclid=EAIaIQobChMIs8rv7t_U6AIVUMjeCh1xdALQEAAYASAAEgJ-YPD_BwE

https://www.clipescola.com/atividades-para-fazer-em-casa-quarentena/

Sofia Campos

Gerontóloga na Sensuum | Coordenadora de Formação

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