Sensuum

Economia Social: as (poucas) certezas dos novos tempos

Do vírus que deu a volta ao mundo e fez o mundo dar uma grande volta, já todos ouvimos falar. Conhecemos a sua capacidade transformadora e, consequência, temos a certeza que não voltaremos ao que éramos. Neste processo de profundas alterações, as organizações de economia social não estão numa esfera à parte. Os modelos de gestão pré-COVID 19 poderão já não ser ajustados. É necessário rever. Repensar a estratégia. E começamos por onde?

Foram demasiadas as organizações que colapsaram durante a pandemia. As instituições de solidariedade social continuam vulneráveis pela sua excessiva dependência das transferências do Estado. (1) Talvez este seja o momento certo para intensificar a aposta em atividades inovadoras, capazes de concorrer com os privados, a fim de diversificar as fontes de financiamento e alargar a rede de parcerias. Enquanto isto, espera-se que as entidades representativas do setor se façam ouvir, numa voz concertada, depois de uma escuta atenta e ativa das bases desta estrutura. 

(2) Ganha forma um fundo europeu de reestruturação. Não é cedo para começar a pensar nas fragilidades a converter em potencialidades da organização. Poderá este financiamento ser a alavanca num processo de autonomização. Encare-se o mesmo assim. E pratique-se a ‘cultura da unidade’. (3) O trabalho em rede é imperativo. Cria valor! E talvez seja este o estímulo necessário para cativar talento. 

As organizações de economia social são um mercado pouco atrativo para os profissionais (sejam técnicos superiores, ou não) e a justificação para tal não reside somente no vencimento designado para a categoria profissional ocupada. Tome-se a Enfermagem como exemplo. Um Enfermeiro, em início de carreira, aufere, numa Instituição Particular de Solidariedade Social, um salário pouco mais baixo do que num hospital central, porém, sempre que se levanta a oportunidade de escolha, a segunda opção sai vencedora. (4) O setor fica mais atrativo quando desafiamos um profissional, quando o tiramos da zona de conforto e colocamos no seu horizonte um novo nível. Desenvolvem-se competências e fica mais forte a vontade de fazer mais e melhor. (5) É também tempo para nos dedicarmos ao marketing e refletirmos sobre o posicionamento da organização no mercado. O que é que cria impacto positivo? O que a distingue? É necessária uma resposta objetiva a estas questões, para divulgar as mesmas na ‘praça’.

Aproximam-se tempos bons para operar mudanças. Bill George, nas suas ‘7 Lições para liderar em tempos de crise’, afirma que a crise oferece uma oportunidade rara para fazer as mais profundas alterações numa organização, porque a resistência é menor do que nos tempos favoráveis.

Emergirão os que inspiram.

Andreia Moreira

Diretora de Serviços na CSPA – Alfena

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