Esta pandemia teve e terá impactos negativos na vida das pessoas, em particular nas mais vulneráveis quer em termos económico-sociais quer de saúde. Enquanto assistente social, vejo-me focada no impacto da COVID-19 e simultaneamente no bem-estar dos nossos utentes e seus responsáveis. Encontramo-nos neste momento numa situação de crise em que verifico um panorama social e económico que se transforma diariamente e me obriga a recriar ou readaptar os meus modos de atuação através de novos métodos de planeamento, avaliação e até mesmo no meu contacto com os utentes e suas famílias. Esta pandemia levou me a refletir como pessoa e como profissional.

Enquanto assistente social, tenho por missão a promoção dos direitos da pessoa designadamente o seu direito aos cuidados, à justiça social, à igualdade de oportunidades e a um tratamento com dignidade. Para isso, é importante que haja agora mais do que nunca um compromisso concertado entre os diversos níveis de atuação: Autarquias, Cuidados de Saúde Primários, Sociedade Civil, Segurança Social, Instituições Militares, IPSS etc. em que todos eles se encontram no momento apinhados e com horários de atendimento reduzidos. Sinto a responsabilidade de me adaptar a novas realidades em constante transformação sendo que esta é acrescida uma vez que tenho não só que me ajustar à Instituição onde estou, mas também a toda a rede de respostas, formais e informais, externas à instituição também elas a responder em contexto de emergência

A distância imposta pelas diretivas/procedimentos decorrentes do plano de emergência nacional, com o intuito de promover o isolamento e o confinamento social, levam-me não só a desafios profissionais, mas também a desafios maiores que se prendem com a ética da privacidade, empatia sendo estes essenciais para qualquer diagnóstico/intervenção.

O contacto com o utente tomou novos contornos…ou temos que privilegiar os contactos telefónicos, vídeo chamadas, emails entre outros ou atender presencialmente o utente de máscara com uma distância mínima de 1.5metros, protegida com todos os EPI disponíveis, em sala com arejamento e se possível de porta aberta…pondo assim em causa tudo aquilo que acredito sendo a Relação crucial para o sucesso da minha prática profissional.

Tenho que me ligar à pessoa, ser empática e procurar a compreensão uma vez que se a pessoa se sentir compreendida vai tentar ser resiliente e se tornar capaz de lidar com a situação.

Todas estas regras levam a uma impossibilidade de um espaço privado e reservado e de observação da comunicação não-verbal uma vez que esta é toda a comunicação que realizamos com o nosso corpo, com gestos dos membros inferiores e superiores e da boca, postura, contacto visual, aparência física, movimentos das cabeça, expressões faciais, etc. É através de tudo isto que vou ser capaz de verificar se a pessoa é credível, se se encontra focada e motivada, se existe conexão e se não há conflitos e mal entendidos.

Será ainda fundamental referir o meu papel em situações de crise e conflitos entre famílias, e, ainda o papel fundamental da gestão do luto, num momento em que as medidas de restrição impõem afastamento numa hora de dor em que desejaria uma maior proximidade com quem se confronta com a dor da perda.

Tive que me reinventar e reinventar a minha prática profissional!!!

 

Cristina Costa 

Assistente social CSPCarvalhosa