A realidade a que se assiste neste momento é que cada vez mais pessoas idosas optam ou têm necessidade de mudar da sua residência habitual para uma Estrutura Residencial para Idosos (ERPI), onde possam ver asseguradas as suas necessidades ou otimizadas as suas potencialidades. A mudança de residência acarreta um conjunto de adaptações, particularmente à vivência em conjunto.

 

Assim, é fundamental que todo o trabalho que possa ser desenvolvido tenha na sua base valores que dignifiquem a pessoa idosa.

 

Cada idoso/a é único/a e irrepetível, pelo que os procedimentos não podem estar estandardizados. Aquando da integração de um/a idoso/a numa ERPI, o/a mesmo/a deve ser considerado/a um/a residente. Como tal, deve sentir aquela Estrutura como a sua nova residência, como a sua nova casa. Onde deve ser tratado/a com respeito pela sua individualidade, onde deverá manter os seus sonhos; dar continuidade ao seu projeto de vida; sentir carinho, afeto e utilidade.

 

A ERPI deve disponibilizar ao/à seu/sua residente o melhor que tem para lhe oferecer, afinal, independentemente da sua natureza, está a ser pago um serviço. A Excelência como compromisso deve ser a condição essencial. Além disso, a Qualidade, que não deve ser baseada apenas em níveis de certificação, mas essencialmente os padrões de qualidade efetivos, quer seja ao nível dos seus serviços como dos seus recursos humanos. Inovar em serviços, inovar em cuidados, muitas vezes pôr em causa o que é um dado adquirido, na certeza que um olhar externo também poderá fazer a diferença é essencial.

 

Todos/as os/as profissionais ao serviço de uma ERPI devem agir com ética e responsabilidade social, tendo por base a honestidade; a responsabilidade; profissionalismo no exercício das suas funções; o respeito pela privacidade do/a residente e pelo bom trato (não recorrendo a diminutivos; percebendo que o/a residente é uma pessoa sábia, com uma história e experiência de vida superior à do/a profissional).

 

O envolvimento familiar é condição essencial para o processo de adaptação e vivência do/a residente numa ERPI. Os/as familiares devem participar no projeto de vida do/a idoso/a; acompanhar rotinas; ter acesso à informação e à comunicação com os vários profissionais. Devem ser estimulados/as a participar nas atividades festivas e com simbolismo na ERPI, bem como incentivados/as a manter o contacto com o exterior, sempre que a condição do/a residente o permita.

 

A integração/participação na comunidade deve ser potenciada, mantendo a abertura para que pessoas externas e outras Instituições se sintam elementos participativos e motores de crescimento da ERPI.

 

O sucesso está no compromisso com o/a residente; com os/as familiares; com os/as fornecedores/as; com os/as prestadores de serviços e com os/as Profissionais. “As pessoas empenham-se quando sabem o que vêm fazer, porque é valorizado e apreciado. Não saem com a ideia de que o seu trabalho não é relevante.” (Jorge Matias, s/d).

 

Cristiana do Nascimento

Diretora Técnica da Casa Maior